Começou nesta quarta-feira e continua até esta quinta-feira, o encontro entre lideranças do Brasil, representado por Roraima, e da Venezuela visando negócio futuros para a exportação de carne do Brasil. O objetivo desses dois dias de debates informar ao país vizinho que a produção de carne do Brasil está livre do mal da aftosa, o que por muitos anos prejudicou a comercialização brasileira com países do mundo inteiro. O primeiro dia do encontro aconteceu na sede do Sistema OCB/RR e atraiu vários cooperados de pecuária e leite, além de representantes do Governo de Roraima. 

 "O Brasil lutou por muitos anos para alcançar essa referência de uma nação livre da aftosa. É claro que isso nos deixa muito felizes. Mas agora o que nós queremos é mostrar ainda mais o nosso potencial de exportação. Roraima é um Estado onde muitos investidores querem estar e nós não podemos deixar uma oportunidade como essa passar.", disse o Presidente dos Sistemas FAERR/SENAR e OCB/RR, Sílvio de Carvalho.

A Comitiva Venezuela está representada pelo Presidente da Federação Nacional dos Ganaderos da Venezuela (FEDENAGA), Armando Chacin, que falou da importância desse encontro entre as duas nações visando negócios futuros. "Eu acredito que temos grandes chances de progredirmos com as negociações entre Brasil e Venezuela. Esse primeiro momento é o pontapé inicial para nos aproximarmos.", comentou Chacin.

Além de Chacin esteve presente a Diretora do Instituto Venezuelano do Leite e Carne (INVELECAR), Khaty Araque; e os pecuaristas venezuelanos, Neol Naar e Carlos Arenas.

O Brasil é totalmente reconhecido, com certificado internacional de zona livre da aftosa pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o que abre muitas portas a empresários do setor. Aliás, o Brasil se tornou um dos mais importantes membros das OIE. As zonas livres com vacinação tornaram-se cada vez mais amplas ao longo dos anos e alcançaram o restante do País.

Na tarde desta quarta, os lideres visitarão o Frigorífico Frigo10, um dos frigoríficos com melhor estrutura de produção na América Latina.

Aftosa no Brasil

O primeiro registro oficial de febre aftosa no Brasil foi no Triângulo Mineiro, em 1895. Os focos na América do Sul coincidiram com a importação de animais da Europa e com surgimento da indústria frigorífica no Brasil.

Em 1951, foi criado o Centro Pan Americano da Aftosa e reconhecida a necessidade de ações conjuntas entre os países do continente. Já em 1992, o Ministério da Agricultura criou o Programa Nacional de Erradicação da Febre Aftosa, com a adoção de medidas regionais e da campanha sistemática da vacinação.

O último foco de aftosa foi registrado no município de Japorã, Mato Grosso do Sul, em 14 abril de 2006. Hoje, o Brasil tem o maior rebanho comercial do mundo, com 218,7 milhões de cabeças de bovinos e búfalos. É também o maior exportador de carne com vendas para mais de 140 países.